sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Um adeus a Mário Barradas




Teatro: Morreu Mário Barradas


O encenador Mário Barradas faleceu esta manhã em Lisboa, informou o Cendrev. Mário Barradas contava 78 anos. Foi um dos fundadores do Cendrev. Nascido em Ponta Delgada, em 1931, fundou em 1975 o Centro Cultural de Évora e a Escola de Formação Teatral.


Quinta, 19 de Novembro de 2009

Fonte: NA - Jornalista :

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Enya...

Enya - Caribbean Blue





Enya - Only Time




Wonderful Chill Out music





Triangle sun - Beautiful


domingo, 15 de Novembro de 2009

Gripe A: Grávida perde bebé 3 dias depois receber vacina



Gripe A: Grávida perde bebé 3 dias depois receber vacina
por Lusa


Uma grávida de 34 semanas perdeu o bebé no sábado, três dias depois de ter sido vacinada contra a gripe A(H1N1), dois factos que os familiares suspeitam que estejam ligados, mas que o hospital diz não ser possível relacionar.



João Romacho, cunhado da mulher de 31 anos, natural de Alegrete, Portalegre, disse à Lusa que depois de na quarta-feira ter sido vacinada contra a gripe A (H1N1), a grávida começou a queixar-se de dores no corpo e mal-estar geral, estranhando que o bebé ora se mexesse mais do que o normal, ora não se mexesse.


"No sábado de manhã [a grávida] foi ao Centro de Saúde de Portalegre, onde a médica que a assistiu verificou que o batimento cardíaco do feto era baixo, mas existia, e aconselhou-a a ir para casa e a voltar no dia seguinte para ver como estava", disse João Romacho à Lusa.


A mulher acabaria por recorrer ao Hospital de Portalegre por volta do meio-dia de sábado, onde ficou a saber que o coração do feto tinha parado.


João Romacho disse à Lusa que os médicos afastaram desde logo a hipótese de a morte do feto estar relacionada com a vacina, mas os familiares da mulher desconfiam que possa haver uma ligação.


"Não podemos dizer que tenha sido da vacina até porque anteriormente já tinha havido um episódio em que o batimento cardiaco do bebé estava muito acelerado, mas claro que depois de ter tomado a vacina... deixa-nos intrigados e com interrogações. A realidade é que a partir daí [da vacinação] se desenvolveram uma série de reacções", disse o familiar.


O familiar acredita que "existem indícios fortes" de que a vacina poderá ter influenciado ou agravado eventuais problemas que já existissem com o feto.


João Romacho adiantou ainda que os familiares aguardam agora pelos resultados da autópsia ao feto e reclamam explicações dos médicos que acompanharam a mulher ao longo da gravidez para apurar se houve responsabilidades.


O Hospital de Portalegre confirmou esta noite, em comunicado, que a grávida foi atendida no sábado nos serviços por "diminuição dos movimentos fetais", tendo ficado internada por suspeita de morte fetal, "embora se encontrasse clinicamente bem".


"Após a realização de exames confirmou-se a morte do feto. A mãe tinha sido vacinada contra o vírus H1N1 no dia 10 deste mês. No entanto, não é possível estabelecer uma relação causal entre a vacinação da grávida e a morte do feto", refere o comunicado.


A direcção do hospital lembra ainda que a ocorrência de "nados-mortos em Portugal, sem causa prévia, é em média de um por dia".


Tags: Portugal, Sul

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Janita e Fausto


Janita Salomé - Redondo Vocábulo




Fausto - Por este rio acima

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

«Há muitos muros para derrubar», diz presidente da Conferência Episcopal Portuguesa



Há muitos muros para derrubar», diz presidente da Conferência Episcopal Portuguesa

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa entende que ainda existem «muitos muros para derrubar». Em declarações à agência Lusa, D. Jorge Ortiga considerou que o dia em que caiu o muro, há 20 anos, foi «histórico».

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa considerou, esta segunda-feira, que ainda «há muitos muros para derrubar» na Europa e no mundo e que o caminho a seguir passa pela tolerância e pela igualdade.


Em Fátima, no dia em que passam 20 anos sobre a queda do Muro de Berlim, D. Jorge Ortiga lembrou que «particularmente, no espaço da igualdade social, com certeza que há muito a fazer » e que «há certas páginas da história que não podem naturalmente ser rasgadas».


«Convém que a Europa e o mundo inteiro não se deixem prender por ideologias, mas acreditem mais na convicções pessoais, mas que essas convicções pessoais não impeçam que outros também tenham a mesma convicção pessoal», acrescentou o arcebispo primaz de Braga, em declarações à agência Lusa.


D. Jorge Ortiga classificou ainda o dia 9 de Novembro de 1989 como «histórico» e considerou que a comemoração do 20º aniversário da queda do muro «deve levar a consciencializar de forma mais profunda o que aconteceu».

Comentários: Uma mensagem oportuna de D. Ortiga chamando à atenção para a necessidade do desenvolvimento equitativo no interior das nações, que hoje carece de especial atenção por parte dos poderes públicos. Sem o que se torna difícil o caminho para a tolerância e a igualdade entre os povos, as sociedades e as pessoas o mundo actual.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Aldeia na fronteira de Marvão vai receber novos povoadores


Aldeia na fronteira de Marvão vai receber novos povoadores

por ANA TOMÁS RIBEIRO, dn

Depois de alguns atrasos por causa das eleições autárquicas, o projecto ganha nova dinâmica. Além de Évora, Marvão poderá ser segundo destino de algumas das 29 famílias já seleccionadas.


A aldeia do concelho de Marvão mais próxima da fronteira com Espanha deverá ser o próximo destino do projecto Novos Povoadores. A ideia é recuperar o velho casario e transformar o local numa aldeia empresarial, disse ao DN um dos três criadores do projecto, Frederico Lucas. "Algumas casas irão acolher empresas, de pequena dimensão mas com ambições globais, e as outras vão acolher as famílias empreendedoras", adiantou. O projecto terá também uma componente de turismo ligada à observação de aves, adiantou.


O projecto Novos Povoadores, que arrancou no início deste ano, com o objectivo de levar famílias das grandes cidades para o interior do País, já concluiu uma primeira fase de selecção de candidatos e apurou 29 famílias.


Neste momento conta com mais 316 inscritas para serem seleccionadas, referiu Frederico Lucas. Évora continua a ser a primeira cidade na calha para acolher alguns dos novos povoadores já seleccionados. O projecto para revitalização e repovoamento do centro histórico da cidade com a consultoria de Frederico Lucas, Alexandre Ferraz e Ana Linhares, já foi aprovado em Assembleia Municipal antes das eleições. Mas o contrato ainda não foi assinado, porque as autárquicas acabaram por originar alguns atrasos no seu andamento, explicou Frederico Lucas. Uma informação confirmada também pelo presidente da Câmara Municipal, reeleito nas últimas eleições, José Ernesto Oliveira. Quando assinar o contrato, a Câmara pagará uma tranche de 20 000 euros aos Novos Povoadores, que em contrapartida terão de conseguir instalara cinco famílias no centro histórico. Quando for atingido o objectivo global do contrato, que é levar 20 famílias para Évora, receberão um total de 75 000 euros. "É assim para qualquer município com quem viermos a trabalhar", afirmou um dos mentores do projecto.


Segundo José Ernesto Oliveira, que tomou posse no último sábado, neste momento a Câmara está a reorganizar-se e dentro de 15 dias deverá reunir-se novamente com os Novos Povoadores para acertarem as formas de concretização do repovoamento do centro histórico.


Segundo Frederico Lucas, o projecto de Marvão, bem como o de Idanha-a-Nova também sofreram atrasos por causa do acto eleitoral. Mas deverão ter novos desenvolvimentos em breve.


"O objectivo para a aldeia do concelho de Marvão é levar famílias de um nível etário mais elevado, consultores de empresas na reforma, com experiência para lançar os projectos empresariais." O DN tentou por diversas vezes contactar o presidente da câmara do município, mas até ao fecho da edição não foi possível obter qualquer declaração deste.
Comentários: É prematuro valorar sobre esta ideia-projecto que, à partida, parece gozar de mais vantagens do que de desvantagens atendendo à desertificação em todo o concelho. Sucede que um projecto desta natureza, que envolve a fixação de pessoas, ou melhor, famílias inteiras - deveria ter sido explicado e discutido junto dos agentes económicos, sociais, enfim, junto da população e pesadas as vantagens e desvantagens dessa integração - que pode até ser dramática para os "povoadores" - bem como para os marvanenses que os recebem.
Infelizmente, já há experiências traumáticas entre nós desta natureza... Seja como for, aqui, como em outras ocasiões, seria devida uma explicação do autarca, Vitor Frutuoso, mas parece que não foi possível. O que revela que o presidente perdeu mais uma oportunidade para falar quando devia, revelando, por isso, um défice de cultura política e democrática de que aqui o acusámos no decurso das eleições. Afinal, não estávamos enganados.
Continuamos a pensar como sempre pensámos, à luz dos factos: Marvão merecia melhores agentes políticos, mais cosmopolitas, mais dialogantes, mais interactivos, mais democráticos, porque a institucionalização da democracia, a partir de 1974, e a integração europeia, a partir de 1986, já para não falar dos milhares de ex-colonos que recebemos em 1975/76, completam e consolidam a viragem urbana, europeia e modernizadora de um país secularmente rural e colonizador.
É claro que aqui as intenções parecem boas, mas os agentes políticos deveriam ter enquadrado esta decisão, tê-la explicado com detalhe à população, sopesado os prós e contras, não o fazendo revelam medo, falta de planeamento e, no caso das coisas correrem mal, poderem vir dizer que, afinal, nunca se comprometeram com essa decisão. Numa palavra: irresponsabilidade.
É por essa razão que entedemos aqui, neste conselho de administração, que Marvão merecia melhores agentes políticos locais.

Terceiro aniversário do Alto Alentejo: Parabéns


quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Apreensão de cannabis na Beirã




No dia 30 de Outubro, pelas três horas da madrugada, militares do Posto Territorial de Santo António das Areias, conjuntamente com o Núcleo de Investigação Criminal do Destacamento Territorial de Nisa encontraram, perto da localidade de Beirã, uma mochila abandonada e de proveniência suspeita que, após ser inspeccionada, revelou conter produto estupefaciente no seu interior.



Montada vigilância ao local, e após três horas de espera, foram detectados dois indivíduos a retirar a referida mochila do local onde permanecia escondida. Procedeu-se então à intercepção e detenção dos dois homens, um de 28 e outro de 25 anos de idade e ambos de nacionalidade portuguesa.


Desta acção resultou a apreensão de 731,6 gramas de "cannabis", já devidamente embalada em cinco sacos individuais e pronta a consumir e comercializar; um veículo Moto 4 de alta cilindrada; um telemóvel e 340 euros em numerário.


Os dois indivíduos foram presentes, na sexta-feira, a primeiro interrogatório judicial no Tribunal Judicial de Castelo de Vide. Relativamente ao indivíduo de 25 anos foi-lhe decretada apresentação no Posto policial da residência bissemanalmente, proibição de contacto com o indivíduo que o acompanhava e proibição de contactar com outros indivíduos conotados com o tráfico e consumo de estupefacientes. Já ao indivíduo de 28 anos apenas ficou sujeito a Termo de Identidade e Residência (TIR).
Comentários: De súbito, o concelho de Marvão acorda com uma grande "pedrada", desta feita à boleia de cannabis. Se fosse coca ou heroína o quadro legal e social seria mais grave e a pedrada ainda maior, embora estes factos não deixam de preocupar as autoridades e a sociedade no seu conjunto. Resta saber se se trata de um fenómeno pontual ou com potencial de crescimento com ramificações no local. Igualmente importante é saber se há sinais exteriores de riqueza por parte de certos indivíduos da região que indiciem aqueles sinais, pois por regra os "bons traficantes" nem sequer são consumidores, mas homens de negócios que vivem da doença e do desnorte alheios. Embora traficantes e consumidores sejam verdadeiras ervas daninhas que devem ser estirpadas da sociedade. E é para isso que existem leis, autoridades, dispositivos de segurança, e, claro, prisões. Aguardemos até onde nos leva o Moto 4...

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Mata Cáceres apela à união "em prol do concelho", Fonte Nova




Seguiu-se a instalação do novo executivo, o momento em que Mata Cáceres (PSD), Adelaide Teixeira (PSD), Ana Manteiga (PSD), José Pinto Leite (PS), Paula Alegre (PS), João Realinho (PS) e Hugo Capote (CDU) juraram perante todos que irão cumprir com lealdade as funções que lhes foram confiadas.


Após a instalação da Assembleia e do executivo, o presidente da Câmara discursou perante todos os presentes, garantindo que, juntamente com a sua equipa, irá assumir as responsabilidades que os portalegrenses lhe conferiram com os seus votos a 11 de Outubro.
(...)

Textos: André Relvas

Taxa de desemprego em Portugal. A emigração não pode ser a saída

TSF


A Comissão Europeia acaba de divulgar as Previsões de Outono que apontam uma taxa de desemprego para Portugal a rondar os 9 por cento este ano e o próximo, assim como uma derrapagem do défice público. Bruxelas tal como se esperava confirma o início da retoma para o nosso país e Zona Euro, mas sobre a evolução da economia portuguesa alguns indicadores são muito negativos.

A Comissão Europeia espera que Portugal feche o ano com um défice de oito por cento e julga que o mesmo valor se deve manter em 2010.


As previsões de Outono apontam para uma contracção económica de 2,9 por cento do PIB, enquanto a inflação pode chegar ao final do ano com sinal negativo de um por cento.


O desemprego deve fixar-se nos 9 por cento nos próximos dois anos.

Bruxelas refere que Portugal tem vindo a registar valores de crescimento abaixo da Zona Euro, com baixa produtividade e desemprego crescente, considerando que a crise económica veio agravar este cenário.


Ao nível das economias dos 27, a Comissão Europeia prevê este ano recuos na ordem dos 4 por cento, mas estes conhecerão já um ligeiro crescimento (0,7 por cento) em 2010.


As más notícias estão do lado do desemprego que Bruxelas prevê que continuará a subir até ao final de 2010.

domingo, 1 de Novembro de 2009

Até sempre, Padre Patrão, visto por Mário Silva Freire

Um testemunho interessante e valioso do Padre Patrão por Mário Freire,
Em - A Voz Portalegrense



Até sempre, Padre Patrão!


Mais um amigo de longa data partiu para não mais voltar! Nesta hora de grande mágoa, as palavras não chegam para expressarmos a saudade que já sentimos pelas opiniões sábias que expendia a respeito da realidade que nos envolve, pelos comentários de fino humor a propósito dos acontecimentos do dia a dia, pelo saber que fazia transparecer, sem exibicionismos, nos assuntos que dominava, pelo conselho avisado que sugeria, quando algum lhe era solicitado, enfim, pela presença sempre amiga com que nos enriquecia.

Se estes eram alguns dos traços que definiam a personalidade mais privada do Padre Patrão, não pode esquecer-se, nesta altura, a sua faceta de homem público e intervencionista.

Como director do jornal O Distrito de Portalegre, numa altura em que o País se debatia com uma Revolução, ele soube manter este órgão de informação diocesano ao abrigo dos facciosismos da época, sem que isso impedisse de fazer dele um meio de comunicação aberto ao que se estava a passar na sociedade portuguesa. O Padre Patrão foi, ainda, um espírito livre, pondo em letra de forma os seus comentários sobre a realidade social de Portalegre e do País e, até, de actos da própria Igreja Diocesana. Nem sempre a suas opiniões foram convenientemente compreendidas pelos poderes vigentes.

Mas ele deixou-nos, igualmente, uma obra de grande valor no domínio da investigação histórica. Para além dos múltiplos trabalhos que deixou espalhados por várias publicações, em especial na Revista A Cidade, há que destacar as três últimas obras publicadas: Catedral de Portalegre – Guia de Visitação; Portalegre – Fundação da Cidade e do Bispado, Levantamento e progresso da Catedral e, por último, Gavião – Memórias do Concelho. Ele deixou ultimado, ainda, e apto para publicação, um trabalho de mais de 400 páginas; trata-se de um estudo sobre as igrejas e ermidas antigas de Portalegre. Este estudo não pode ficar esquecido no disco do seu computador.

Desapareceu um homem de uma grande sabedoria, de um grande saber e, por isso mesmo, de uma grande humildade. Ele soube ser um sacerdote e pastor de almas que, sem alardes, transmitia a mensagem de Cristo, não só através da sua palavra simples mas directa e enraizada na vida, mas também das obras de arte religiosa que ele descobria e estudava. A sua memória dificilmente será apagada pelos estudiosos da arte sacra mas, principalmente, pelos inúmeros amigos que deixou.

Mário Freire

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

O desenvolvimento do Alentejo. Ainda o caso Delphi

O exemplo da DELPHI, na Ponte de Sor, que vimos abaixo é lamentável a todos os títulos. Como alentejano a questão preocupa-me. Frustra-me ver maus políticos lamentando-se daquilo que não fizeram e poderiam ter feito, tratando apenas de assegurar os privilégios inerentes às suas funções públicas, sem lhes reconhecer uma única iniciativa, privada, pública ou em parceria que justifique o seu ordenado e o zelo pelo interesse geral do distrito que era suposto terem.
Penso, contudo, que haverá razões que ajudam a explicar esta inércia que, no limite, desencadeia ainda mais pobreza e desertificação, factores que têm contribuído para agravar o subdesenvolvimento na nossa região.
A falta de organização e a fraca participação das comunidades e dos agentes empresariais regionais, pouco habituadas ao diálogo, também agrava esta cultura de subdesenvolvimento, não facilitando o despontar de ideias nem projectos que alterem este estado de coisas. E depois encontramos os lamentos do sr. Estorninho depois de toda a gente saber que a empresa A, B ou C aguarda o cemitério.
A autarquia de Portalegre, de Marvão e outras do distrito deveriam habituar-se a novos métodos de trabalho, a serem mais participadas e abertas ao diálogo, incentivando a concertação de interesses intersectoriais a fim de todos se tornarem mais competitivos e justificadamente reivindicativos. Nesta matéria pouco ou nada tenho visto o autarca de Marvão fazer pela terra e pelo espaço envolvente. Iniciativas isoladas de nada valem. Daí as críticas fundadas que lhes temos feito.
O que de novo se tem feito no Turismo que não seja promover os interesses do Sr. A, B ou C?!
Há alguma Comissão do turismo que representa os empresários do sector no seu conjunto ou ainda é cada um zelando pela sua capelinha?!
Marvão ainda não conseguiu descolar deste tipo de interesses demasiadamente fulanisados em entricheirados em torno do amigo A, B ou C - porque tocar nestes interesses é afrontá-los individualmente, mas o que verdadeiramente está em jogo não são os interesses de A, B ou C, mas sim os interesses gerais do concelho e do distrito. E se estes perdem - perdem todos, se aqueles interesses privados ganham, só ganham alguns. Os tais interesses empresariais de tipo particular. E como negócio é legítimo que assim seja, mas não cuida do interesse geral que se pretende. Daí o interesse em dinamizar a concertação e a participação neste sector, mas o mesmo é válido para a agricultura a fim de melhor se defender as produções locais e potenciar a qualidade de vida dos produtores que bem merecem.
Este lamento do sr. Estorninho é, de facto, frustrante, não por ser ele a fazê-lo mas porque esse tipo de atitude representa o grau zero dos nossos políticos regionais. Até perdemos para os políticos de Évora, que sempre foram mais dinâmicos e rápidos na defesa dos seus interesses regionais. Por cá, revelamos não dispor de nenhuma imaginação ou capacidade de reivindicação junto dos poderes ministeriais em Lisboa e assim não vamos longe. Ficamos a dialogar com os pedregulhos que enfeitam a paisagem e definem o horizonte.
O nosso turismo fica entregue a meia dúzia de empresários que exploram o negócio, a nossa agricultura não se desenvolve nem afirma e diversifica e o tão desejado conceito de desenvolvimento geral do concelho e do distrito fica, mais uma vez, adiado. Foi também por constatar este conjunto de inércias e de bloqueios que criticámos aqui o PSD e o actual autarca de Marvão, e se ele nada fizer neste 2º mandato para alterar este estado lamentável de coisas lá teremos de o criticar novamente.
Não porque nos dê gozo criticar por criticar, mas porque nos entristece ver as nossas terras cada vez mais subdesenvolvidas e desertificadas, e quando se espera alguma inteligência, criatividade e inovação ao nível das soluções que deveriam ajudar empresas como a Delphi e outras mais pequenas a saírem da crise e da agonia, aquilo com que nos deparamos são os lamentos do Sr. Estorninho.
Já não sei o que é pior, confesso...

Delphi – Um golpe duro na economia portalegrense


“Um duro golpe na economia do distrito de Portalegre”, foi desta forma que o governador civil, Jaime Estorninho, reagiu à notícia do encerramento da empresa Delphi, em Ponte de Sor, agendado para o final deste ano.


A empresa encerra a 31 de Dezembro e arrasta para o desemprego 430 operários.

Entretanto, o presidente da Câmara de Ponte de Sor, Taveira Pinto, assegurou esta quarta-feira que as instalações onde se encontra a Delphi estão a ser negociadas com outra empresa multinacional, e que já no próximo ano, e numa primeira fase, poderá empregar entre 60 a 70 trabalhadores.
Comentários. Seria útil conhecer as iniciativas que o Sr. Estorninho tomou para prevenir esta situação ou se apenas reagiu com o lamento após o acto consumado de a empresa já não poder ser viabilizada. Confesso que ainda não entendi bem o papel dos governadores civis, se são apenas meros "papagaios" no distrito e dando algum eco lá na capital, ou se, como deviam, actuam preventivamente junto das entidades competentes, em particular junto do Ministério da Economia apresentando-lhe planos e propostas alternativas de viabilidade económica para evitar que cerca de meio milhar de pessoas conheçam o desemprego como "prenda" de Natal. É lamentável constatar a inércia das nossas autoridades regionais quando se trata de puxar pelo nosso desenvolvimento social e económico. Parece até que somos representados por atrasados mentais que só se sabem lamentar quando os problemas se tornaram irreversíveis. É por isso que os políticos (incluindo aqui deputados, ministros, governadores civis, todos) juntamente com os magistrados são as classes mais desacreditadas junto das populações. E aqueles lamentos "estorninianos" de mau pagador ilustram bem a mediocridade dos políticos que temos a representar os interesses do nosso Distrito. Basta atender às suas fundamentações. É lamentável.

As víboras voltam a atacar

Damos aqui um conselho ao amigo Isaaaaaac: coloque os conteúdos do jornal on-line, verá que os leitores não diminuem, a publicidade talvez suba, apesar da crise, os leitores fidelizam-se e, por todas essa razões, o jornal recebe um banho de modernidade que lhe falta. Confiamos em ti Isaaaac.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Boticas. O crime do Padre Amaro. Já nem a igreja alguns padres respeitam

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"O final da história é sempre o mesmo: todos dizem que sabiam. Que não há motivo para bocas abertas, nem admiração. Que o padre não enganava ninguém. Que usava a batina como disfarce porque "de um padre ninguém desconfia". Que o pároco tinha armas e negócios ilegais, gostava de caçar, dava tiros nas traseiras da casa e levava sempre uma pistola para a missa, ou vendia as armas na igreja.


Eis a história: o padre Fernando Guerra, 74 anos, foi detido anteontem no fim da missa na aldeia de Covas do Barroso, Boticas, por suspeita de posse ilegal e tráfico de armas. À chuva, militares da GNR esperaram pelo fim da eucaristia das 7 horas de domingo. Aguardaram que os 40 fiéis saíssem e surpreenderem o padre na sacristia, enquanto despia os paramentos e se preparava para seguir para a paróquia vizinha. Depois das buscas à igreja e à casa do padre, a GNR encontrou munições e seis armas ilegais - três pistolas e três caçadeiras - e o padre foi detido. Foram detidas outras três pessoas, com idades entre os 50 e os 54 anos. Os fiéis das aldeias de Cerdedo, Vilar e Videiro, já não tiveram direito a missa. Ontem, à hora do fecho desta edição, o padre continuava a ser ouvido pelo juíz no Tribunal de Boticas.


Na aldeia dos 400 habitantes, com casas de pedra e uma velha igreja românica, a detenção do padre Fernando Guerra não foi uma surpresa. Nas redondezas, também não. Os habitantes desfiam o currículo e a fama pública de um pároco há 50 anos no sacerdócio, há 30 anos naquela freguesia e pouco amado pela população. Sem adiantarem nomes verdadeiros, com medo de represálias e de vinganças. "Coisas de terra pequenina onde os grandes é que mandam."


A ligação do padre de Boticas às armas não era segredo, nem era nova - arrasta-se há muito tempo. Há 25 anos, pelo menos, o padre entretinha-se a limpar armas "descaradamente" nas aulas de religião e moral. "Fui aluna dele. E lembro-me de ele contar notas e limpar armas à frente dos alunos, nas aulas de religião e moral na escola secundária de Boticas. Se perguntarem a pessoas da minha idade, vão ver que todos os miúdos viam isso, mas ninguém dizia, porque tinham medo, porque o padre é da máfia grande", diz uma mulher de 40 anos, dona de um restaurante em Boticas. E acrescenta: "Era uma figura querida apenas para as beatas falsas. Todos sabiam que ele só vivia para o dinheiro."


Fernando Guerra recusava-se frequentemente a fazer um funeral ou um baptizado às famílias que não lhe tivessem pago a premissa anual. Era agressivo, agarrado ao dinheiro, vingativo. "Fazia tudo por euros. Disse várias vezes que só fazia este ou aquele funeral depois de lhe pagarem as contribuições em dívida", diz um morador na aldeia vizinha de Videiro. Conduzia um Mercedes que os moradores dizem ter sido apreendido naquela manhã por estar em situação ilegal. Mas também andava com "outros carros finos": "Cada dia andava com um diferente."


Diz o dono de um café em Boticas onde, nos últimos dois dias, a história do padre é tema de conversa obrigatório: "Todos dizem que já deveria ter sido preso há muito tempo. Ele não é boa gente." Depois, como em todas as histórias de aldeia, o provérbio "quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto" encaixa na perfeição. Uns dizem que há 15 anos o padre agrediu o sacristão da paróquia com a coronha de uma pistola por causa do horário de um funeral. Outros dizem que tudo aconteceu porque o sacristão tocou o sino mais cedo do que o combinado. Outros dizem ainda que não se tratou de uma agressão com a pistola mas de um tiro. O caso nunca chegou a tribunal.


Em Julho de 2005, o padre voltou a ser notícia de café depois de denunciar ter sido alvo de uma tentativa de homicídio. Contou que seguia no carro quando alguém disparou vários tiros. Na aldeia transmontana, há quem diga que tudo não passou de uma invenção e que os tiros foram disparados pelo próprio.


O Bispo de Vila Real já anunciou que o padre se irá manter à frente da paróquia de Covas. Os moradores questionam-se sobre "que moral tem um homem destes para andar a pregar nas igrejas", mas cruzam os braços. Da mesma maneira que todos sabiam que escondia armas, aceitam como inevitável que o padre suspeito de envolvimento numa rede criminosa volte a vestir a batina e a celebrar missas. Diz a dona do restaurante de Boticas, de imediato: "A população vai aceitar o regresso, vai. É tão natural como a sede. Todos lhe têm medo."

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

O futuro da Delphi na Ponte de Sor




ALEXANDRA SERÔDIO

A indefinição quanto ao futuro marca o dia-a-dia dos 439 operários efectivos da unidade de Ponte de Sor da Delphi.JN


A média de idades ronda os 42 anos, as habilitações literárias são mínimas e os ordenados são de cerca 700 euros. A maioria passou ali a vida e por isso não conhece outra profissão. Temem o desemprego num distrito onde, garantem, "nem no campo há trabalho".


"Enquanto não houver uma decisão concreta, não há cabeça para trabalhar nem para estar em casa", afiança José Gens, revelando que "todas as conversas terminam sempre no mesmo assunto". Na empresa há 28 anos, este funcionário diz que "esta situação não é para ninguém" e que todos os trabalhadores "andam muito tristes e sem cabeça para nada". Vão resolvendo "encomendas" e tentam "manter alguma esperança" de que a empresa não irá fechar.


José Gens revela que foi assinado, há poucos meses, um acordo entre a administração e os trabalhadores sobre os valores da indemnização. "Eles querem agora voltar atrás, tentar adiar o encerramento para não pagarem o que foi acordado", diz o funcionário, garantindo que, "se a administração quiser, a empresa pode continuar a trabalhar".


José Rodrigues, 45 anos, saiu da tropa e ingressou na Delphi. Já lá vão 23 anos. Mostra-se apreensivo quanto ao futuro e disposto a ir "para a luta caso seja necessário". Admite que a administração "não está interessada" em ter a empresa em Ponte de Sor, suspeitando que ali "querem colocar uma linha de montagem qualquer".


Fala em "negócios que estão a ser transferidos" e em "projectos que não houve interesse em renovar". José Rodrigues recorda que durante anos "esta empresa foi considerada um modelo para toda a multinacional" e até ganhou "muitos prémios de qualidade".


Tal como outros, mostra-se preocupado com o futuro. "Passei a minha vida a trabalhar aqui. E agora o que vou fazer? Sei fazer algumas coisas mas aqui não há grandes alternativas", sustenta.

Em passo apressado, António Inácio acede falar de sentimentos, momentos antes de entrar na Delphi, para mais um turno de trabalho. Há 27 anos que ultrapassa os portões da empresa onde trabalha uma irmã e um cunhado. Garante que ali há casais a trabalhar e que, em caso de despedimentos, "vão ter sérias dificuldades". Preocupado, diz que vai tentando manter "um pouco de esperança" e que a empresa "está a trabalhar na máxima força". Por isso, não compreende o anúncio do encerramento da fábrica, que "tem sido feito desde 2007".
Hoje, a partir das 15.30 horas, os trabalhadores reúnem-se em plenário. O sindicalista Delfim Mendes já garantiu que os funcionários apenas aceitarão um "projecto sustentável" e "não para apenas continuar a actividade artificialmente para daqui a uns meses encerrar.
Comentário: Lemos aqui relatos de testemunhos impressionantes, mas a empresa precisa de algo mais do que de boa vontade sindicalista. Desta forma, um dos principais desafios governamentais ao ministro da Economia, Vieira da Silva, será o de estabelecer um Plano de recuperação e de viabilidade económica para a empresa, de requalificação dos RH, transferência de tecnologia e de apoios à exportação sem esquecer a captura de novos mercados, fonte que tudo alimenta. A empresa, os trabalhadores e a Ponte de Sor merecem esse esforço empenhado do Estado e da administração local e da sociedade civil. O resto é feito pela laboração e pelos mercados.

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

O sapato da política - no 24H

Marvão vai instalar no Executivo e na AM os seus eleitos, é a consumação de mais um procedimento da democracia formal antes de se começar a governar o concelho que já não pode esperar mais tempo diante das inúmeras tarefas e desafios que tem pela frente. De muletas será difícil estar presente, de modo que veremos a tomada de posse de binócuos a partir de Sto António.
Alguns, como agora é moda, satisfeitos com o poder eleito enviarão rosas e palmas aos eleitos, desejando-lhes sorte; outros mandarão o seu sapatão na esperança de atingir o autarca em plena tomada de posse. Mas também poderemos pensar que, do lado do Poder a institucionalizar, também existe uma grande vontade de devolver alguns desses mimos à assistência, e, nesse caso, pergunto-me o que o engº V. Frutuoso desejaria devolver às oposições.
Seja na forma tentada, seja forma consumada...
Uma questão que em breve responderemos.

Música e lazer: Joe Dassin, Carlos Santana e Demis Roussos

Joe Dassin "Et si tu n'existais pas"



Maria, Maria



Demis Roussos-Forever and ever


Madalena



O CANDIDATO VIEIRA - Parte 1

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Já se ouvem os motores - Baja Portalegre está a chegar. Evocação de José Manuel Megre

Ao amigo José M. Megre e à mulher Fátima Pinto Ferreira.





O Centro de Congressos da Câmara Municipal foi palco, esta quarta-feira, da apresentação oficial da Baja BP Ultimate Portalegre 500. Uma competição válida para a Taça Internacional FIA de Bajas, para o Campeonato de Portugal Vodafone de Todo-o-Terreno, Campeonato da Espanha de Todo-o-Terreno e Troféu Ibérico de Todo-o-Terreno. No seu regresso ao calendário do Campeonato Nacional de Todo-o-Terreno, a competição alentejana pontuará ainda para os Troféus KTM/Husaberg e Troféu Polaris Challenge.Recorde-se que esta será a segunda competição pontuável para o Memorial José Megre, iniciativa com que o ACP pretende perpetuar a imagem do criador da prova alentejana. A competição é liderada por Guerlain Chicherit, vencedor do Rali Vodafone Transibéricom que não marcará presença em Portalegre. (....)

Mário Viegas - "Os ais". Os "ais" para atenuar as derrotas...




Exageros



"As Mãos e os Livros" de Eugénio de Andrade


segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

A derrota: lamber as feridas com os pés


Alegoria à Derrota dos Franceses, 1808. Gravura a buril e água forte de Teodoro António Lima a partir de Cirilo Volkmar Machado. 283 x 212 mm (mancha).
Tinha um amigo em S. António que perante a derrota batia no cão quando chegava a casa; outro batia na Mãe e como era possante ameaçava o padrasto. Significa isto que perante a derrota há pessoas que reagem de forma violenta, psicológicamente destabilizada procurando ver noutros os bodes expiatórios para os seus próprios fracassos. Algumas artistas da política caseira, rejeitada pelos partidos onde durante anos fizeram carreira e subiram na vidinha, não conseguem reconhecer esse aspecto que até um cego localiza à légua.
Esta é a chamada bolha da ilusão que impede as pessoas de verem a realidade, apenas vêm a projecção dos seus desejos estampada naquilo que julgam ser a realidade. Desejam um Porshe mas andam de Audi. A falta de rigor, a ausência de alguns conhecimentos, a incapacidade para burilar rápidamente conhecimento gera essas bolhas de ilusão e depois sobrevem a derrota para que se não está preparada. E quando não se está preparado para ela começa-se a bater no cão, no gato, no papagaio ou até criticar alguns blogues sem saber, em rigor, do que falam.
Como diria o Sócrates, o de Atenas, se o homem é mau tal decorre da ignorância. E a esses homens e a essas mulhersinhas temos de as saber desculpar, porque não sabem do que falam, apenas se iludiram com uma realidade que os trancende.
De modo que saber lidar com a derrota é, ou deve ser, uma das primeiras virtudes quando se entra no meio político. Sob pena de se comprometer a saúde mental e depois passar a escrever baboseiras inqualificáveis que apenas revelam raiva, ressentimento e incapacidade de gestão emocional da derrota. Em inúmeros casos isto ocorre nas mulheres de meia idade que começam a tocar na fronteira da menopausa. Isto é dramático, algumas, mais decadentes, até ficam loucas. Outras atiram-se da serra pensando que conseguem voar como os pássaros.
Nos casos mais graves, como relembra O Werther, de Goethe, há pessoas que foram arrastadas ao suicídio. A Comédia Humana, de Balzac, provocou inúmeras capitulações e trágicas condenações. Depois de ler A Nova Heloísa, de J.J.Rosseuau, uma moça estoirou os miolos numa praça de Genebra. Os Sete Que se Enforcaram, de Leonidas Andreiev, foi causa do suicídio de vários estudantes em Moscovo.
Ninguém, em rigor, sabe ao certo o que se passa nos bastidores da vida, e nessa percentagem crescente de instáveis emocionais, alguns bipolares, temos de ser compreensíveis para com esses ressentidos pelas derrotas que a vida política, nacional ou local, impõe a certos actores.
Até para cair tem que se saber cair de pé, e encontrar bodes expiatórios para as próprias fraquezas e derrotas é, não apenas um exemplo de fealdade como de puro cretinismo que denuncia as mentes fracas e perversas desta nossa vidinha pública local e autárquica que ora assumiu enquadramento partidário ora, consoante os interesses em presença, assumiu uma aura de pseudo-independentismo quando se sabe que, na prática, todos nós somos sempre dependentes de algo.
E uns desses filhos d' algo continuam, à falta de melhor fair-play, a bater no cão.
Por vezes a melhor forma de fazer serviço público é ter alguma caridade intelectual com alguns idiotas que vamos encontrando por aí e andam por aí, como o outro...


Famílias "forçadas" a circular como nómadas pelo Alentejo




Famílias ciganas estão a ter dificuldades em fixar-se nas suas terras, sendo "forçadas" a circular como nómadas pela região do Alentejo, denuncia um antropólogo que estudou esta comunidade.


Trata-se de "um número minoritário mas significativo" de famílias ciganas que "não consegue fixar-se nas terras a que sentem pertencer" e onde "são alvo de vigilância apertada", disse à Lusa o antropólogo André Correia, que hoje falará sobre a sua percepção deste fenómeno no ciclo de palestras "Pobreza e Comunidades Ciganas", em Beja.


Um fenómeno sobre o qual não existem dados oficiais e que o antropólogo estudou entre Fevereiro de 2006 e Julho deste ano, quando acompanhou famílias ciganas sem residência fixa em Portugal, juntamente com outra investigadora e no âmbito de um projecto do Centro de Estudos Territoriais do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).


As famílias ciganas que acompanhou, relata André Correia, "vivem numa situação de nomadismo forçado" e são "obrigadas a circular por outras terras" da região, "fugindo às autoridades", numa sociedade que lhes oferece uma "tolerância temporária" ou a "expulsão rápida".


O debate promovido pelo núcleo distrital de Beja da Rede Europeia Anti-Pobreza (REAPN), a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se assinalou sábado, vai debater a situação da comunidade cigana no Alentejo. LL/SBR. , dn

Comentários: Concordamos que os investigadores sociais façam levantamentos sobre esta e outras minorias, conheçam as causas dos seus problemas sociais e encontrem para eles soluções públicas e privadas capazes de minorar o seu sofrimento. Mas a comunidade cigana tem de ser vista sempre com uma dupla perspectiva: a positiva, referente à minoria que enriquece a diversidade humana e tem direito à existência; e a negativa que se liga ao facto de pretenderem reclamar direitos sociais pagos pelos contribuintes (que trabalham e não vivem parasitando o Estado) em relação aos quais não fazem descontos, já para não falar no uso e abuso de habitação que fazem ao ocupar propriedades alheias e que depois pretendem - como que por usucapião - conquistar direitos sobre os bens que são pertença de outras pessoas.
Portanto, é útil que os investigadores em questão tenham presente sempre o lado positivo e negativo da comunidade cigana na comunidades em que se inserem. Pois situações há em que a sua presença é positiva, os seus elementos estão integrados na restante população e gozam até de crédito social no conjunto das pessoas, embora essa não seja a regra, até pela idiosincrasia do seu modo de vida, fechados sobre si próprios e, por isso, fechados à sociedade.
Mas também conhecemos situações em que a população os olha com grande desconfiança e em inúmeros casos, na maior parte, essa desconfiança encontra fundamento nos factos. Por isso, srs. Investigadores tenham cuidado com generalizações apressadas, em resultado de moda académica e desejo de mostrar serviço, mas que depois os factos desconfirmam.

Rescaldo das eleições autárquicas em Marvão




Deixamos aqui duas perspectivas mais ou menos alinhadas relativamente aos resultados eleitorais na sequência das autárquicas de 11 de Outubro último. Abaixo constatamos a vontade política de Pedro Sobreiro recalcada e/ou disfarçada de cruzada cultural que é alinhada consigo próprio. Mais abaixo uma 2ª análise alinhada ao PSD, mas com algum realismo no que toca ao score dos demais agrupamentos políticos que se apresentaram às eleições locais.
Sobreiro, para ser coerente e consequente com ele próprio e com as populações do concelho de Marvão que diz defender, deveria, aquando as divergências estalaram com Vitor Frutuoso no início do mandato em 2005, ter-se demitido por discordar frontalmenete da sua fraca liderança; e agora, ter-se apresentado às eleições, politicamente enquadrado ou como independente, como outros fizeram.
Sobreiro não fez nem uma coisa nem outra, limita-se a criticar, criticar, criticar mas não passa disso. Teve o mérito de organizar a Almossassa - que serviu para cavalgar muitas ondas e alimentar essa tal cruzada cultural. Provavelmente já acumulou crítica suficiente no seu blog para escrever um livrinho e dá-lo à estampa, ou então tem agora o dever moral e a obrigação política, já que passa a vida a falar em ética, de se preparar no decurso destes quatro anos a fim de se apresentar às próximas eleições autárquicas bloqueando assim a forte possibilidade de Frutuoso fazer um 3º mandato consecutivo que a lei lhe confere.
Ou será que teremos mais críticas de Sobreiro no seu blog com muitas palavras ao vento e pouca acção!?
Força Pedro, atira-te ao jogo e vence o leãozinho da serra. Nessa tarefa até pode ser convocado o Bonito Dias cujo perfil se ajusta e tem a vantagem de dizer sempre bem de tudo e de todos, e por vezes é assim que se ganham eleições: agradando a gregos e a troianos. Agora uma coisa é certa: escrever só nos blogues é manifestamente escasso.
Terá que se mudar de agulhas se se quer substituir o elemento do PSD que hoje ocupa frouxamente o cargo e, por certo, irá fazer mais do mesmo. Ou seja: nada de relevante pelo concelho.



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No Fórum Marvão encontra-se esta análise no rescaldo eleitoral:
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"Esta vitória foi também fruto da escolha mais acertada, pelo PSD, das pessoas que os marvanenses consideram que melhor as podem representar. Foi ainda a vitória do PSD local, ao não deixar que os seus lideres sejam impostos pelas estruturas distritais ou nacionais. Vítor Frutuoso tinha ganho esse direito nas urnas em 2005, tinha um mandato do povo, e só o povo de Marvão o podia rejeitar. Tal não aconteceu, por isso Vítor Frutuoso e a sua equipa estão de parabéns.
As restantes candidaturas perderam, porque as eleições ganham-se com votos, não se ganham com críticas "baratas", com folclores, nem com “marketing´s” manhosos. Ganham-se conhecendo bem os clientes a quem se dirigem, pois neste concelho as pessoas votam pela confiança que têm nos candidatos e não nos actores políticos do momento.
O Partido Socialista é o maior derrotado.
Em minha opinião, fruto de uma estratégia errada na escolha dos candidatos, imposta pela segunda vez, pelas estruturas partidárias exteriores ao concelho, e pela segunda vez sai derrotado. O PS precisa de reflectir em Marvão, porque o concelho precisa de um PS forte na oposição, para que o poder se sinta pressionado a melhorar o seu desempenho.
A candidatura de Madalena Tavares é a segunda derrotada, porque pôs a fasquia muito alta. Organizar uma candidatura independente a todos os órgãos autárquicos, não é tarefa fácil, e aí, esta candidatura fez um trabalho muito bom.
Só que para ganhar eleições em Marvão é preciso algo mais. Apesar de ter conseguido uma série de pessoas que “suaram a camisola”, algumas delas nunca se viram intervir socialmente na comunidade onde vivem! Aparecer apenas em altura de eleições a cargos remunerados?...
Quanto à sua líder, Madalena Tavares, depois do que lhe fizeram nas últimas eleições, ao relegarem-na para segundo plano, era imprescindível que percorresse este caminho. Tinha que saber qual era o seu valor eleitoral. Fê-lo e perdeu, mas deu uma pedrada no charco! Agora sabe quanto vale: 18% em números redondos.
Quanto à candidatura do Movimento por Marvão, em minha opinião, foi um erro estratégico ter-se candidato a estas eleições, pois não tinha qualquer implantação concelhia. O MpM é composto por jovens com muitas capacidades e alguns conhecimentos. A sua intervenção deveria ficar-se, por agora, por uma intervenção social, como grupo de debate cívico, algo que falta em Marvão. Aliás o seu primeiro evento foi um êxito. Força rapazes e raparigas." (...)